domingo, 5 de abril de 2020

Sentimentos (por ti)

Hoje vou escrever para ti. Vou abrir o meu coração. Não sei se as palavras vão rimar. Preciso de dizer os meus sentires. Preciso de me fazer entender a mim mesma. Preciso de deitar cá para fora tudo o que sinto. Sem mentir, sem ocultar. Não me julgues. Apenas entende. São sentimentos meus que quero partilhar.
Não sei em que momento da minha vida, entraste no meu coração. Eu, senhora de mim, com muros altos de proteção, abri-os para ti. Não forçaste a entrada. O acesso fui eu que to dei. Ocupas um lugar gigante no meu coração. Não seria impossível viver sem ti, mas só de o pensar, cria-se um nó na minha garanta e faz-me querer fugir para os teus braços. Sentir-me segura no teu abraço. Olhar-te nos olhos, com medo que desapareças. Que me deixes sozinha. Sentir-me num mundo só meu e teu. Onde não tenho que esconder o que sinto. Nem dos outros, nem de ti, e principalmente de mim.
Sabes que tendo a racionalizar tudo. Tenho medo. Medo de demonstrar tudo quanto sinto. De me entregar emocionalmente. Receio que não o entendam. Que não o entendas.
Talvez o sentimento que melhor descreve o que sinto por ti seja cumplicidade. E nesta cumplicidade confesso-me pecadora num crime que não cometo. O de me entregar a uma paixão, a um amor idealizado que sei que não pode ser concretizado.
Então o que faço eu com tamanho sentimento que me transborda do peito? Fica em palavras por dizer? Poemas por escrever?
Não mais. Hoje preciso que desmoronem os muros atrás dos quais me escondo. De ti. E de mim.
Pouco importa se o que sinto é enquadrável no politicamente correto. Não peca quem dá amor.
E eu dou-to. Toda a admiração que tanto digo ter, não será amor também? Se conto as horas em que não estás, será paixão? Se nestas ausências me dou perdida em pensamentos, em memórias que involuntariamente voam até ti, o que diz isto de mim? Se fraquejo na minha coerência entre o sentir e o pensar,  o que fará isto de mim?
Pouco importa. Os sentimentos não foram feitos para estarem encarcerados no peito de quem os sente. Retribuidos ou não, hoje digo-tos todos. Porque amanhã pode ser tarde. Porque amanhã podes não estar aqui. Por isso, preciso que saibas hoje o que sinto por ti.
Não existe qualquer razão ou racionalidade. Apenas alguém que aqui está de coração no peito, que muitas vezes bate por ti.
É um carinho incondicional. Um amor, em sua forma em que há dias que em paixão se transforma.
Sei que quando acabar de escrever, os meus muros volto a erguer. Não porque precise de me proteger de ti. Mas preciso de me proteger de mim! E por muito estranho que isto possa parecer, é assim que tem que ser.
Uma lágrima caiu. Não é dor. Não é sofrimento. É a libertação de tudo o que estava aprisionado cá dentro.
São beijos que não te dou. Que guardo nas minhas mãos. E nesta minha fantasia louca, fechados no coração, estão os beijos que pedem a minha boca. 
É um gosto de ti, que sabe a pouco. Quando o coração sente mais. Quando cada vez que te vê, tenta manter atitudes normais. 
Não demonstrar que se apaixona num mundo irreal onde sonha contigo, onde és parceiro ideal.
Neste misto de emoções dou as palavras por ditas. Hoje tudo o que nunca confessei, vai nestas palavras escritas. 

Miss Paty

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