#Drummer
Sinto-me um camaleão.
Gostava de me sentir um outro ser, talvez mais imponente, mais poderoso. Mas não.
Sou um camaleão.
A toda a hora me ajusto ao ambiente, mudando as minhas cores para me proteger dos predadores.
Sim. Vivo numa selva onde todos os momentos de vivência, são em sobressalto, uma luta entre predador e presa.
Com medo, de vir um ser esfomeado que me tire a vida, para se saciar.
Tenho que ser astuto, ajustar-me, para contribuir com a minha vida, para o normal curso da natureza.
Não sei como fazer entender os animais que só pensam em fazer de mim alimento, que tenho direito à vida.
Não estou a mudar as minhas cores para os afrontar, mas sim para me proteger, e com isso acabo por salvaguardar o futuro da minha espécie.
Difícil esta tarefa de mudar, ajustar-se, reinventar-me quando necessário.
Numa selva humana, em que todos querem ser leões, verdadeiros predadores, reis da savana.
Pobres coitados, vão morrer de fome.
A caça está cada vez mais escassa.
Os animais resguardam-se, não andam como seu costume a sujeitarem as suas vidas, para encher a barriga dos que não se saciam com pouco.
Capazes de comer tudo de uma só vez, sem pensar em racionalizar o seu alimento.
Eu como camaleão que sou, vivo nas plantas, gosto de subir árvores, que me dão uma visão diferente dos terráqueos.
Consigo ter uma perspetiva diferente, e de forma discreta, ter tempo para apreciar, o que de anormal vai nesta grande confusão.
Passo despercebido e vou levando a preservando a minha vida.
Porque para mim o que é natural, para os restantes, é totalmente impossível.
Mudar de cor.
Reajustar-me.
Por vezes multicolor e, de forma, a embelezar esta selva, que está a ficar sem cor alguma.
É triste, mas é um facto.
Drummer
© Todos os Direitos de Autor reservados nos termos da Lei 50/2004, de 24 de Agosto
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