domingo, 5 de abril de 2020

Acordei assim!


Um dia acordei e olhei para mim. Achei-me tão diferente ao espelho. Vi-o rir-se de mim. Esperei pelo seu conselho.
Espelho meu, espelho meu. Que conselho tens para me dar. Mas ele não me respondeu. Desafiou-me a olhar.
Olhei para dentro de mim. E surpresa descobri. Que a minha vida não era bem assim. Como aquela que vivi.
Espelho meu, espelho meu. O que me queres então dizer. Os ombros ele encolheu, como de mim a escarnecer.
Percebi então, o que ele me queria dizer. Que em mim andava perdida, sem necessiade de o fazer.
Que o guardo dentro de mim, não precisa de estar aprisionado. Que um coração não vive assim. A sete chaves fechado.
Que não há mal em dar de mim. Sem nada em troca querer. Que devo amar, sim. Demorei para entender.
Que não peca quem dá amor. Quem dá o melhor de si. Que se liberta do pudor. E só agora o percebi.
Espelho meu, espelho meu. Porque andava tão perdida. E ele por fim, cedeu. Dizendo, acorda bela adormecida.
E então acordei, cheia de amor para dar. E ao contrário do que sempre pensei. Não é pecado amar.
Sentimento tão nobre o amor. O que dou, apenas por dar. Porque no mundo há demasiada dor. Para tão nobre sentimento guardar.
E agora em mim explode. Todo esse sentimento.
Aquele que tudo pode. Que cessa a mágoa e qualquer arrependimento.
Espelho meu, espelho meu. Porque só agora consegui ver? E o espelho respondeu, menina estás a crescer.
Estás a entender por fim, o que sempre tentei dizer. Que não tens que ser assim. Não precisas de te esconder.
Deves distribuir amor. És livre para amar. Quem for merecedor de tanto amor que tens para dar.
Sinto-me livre, sinto-me bem. Espero que entendam a mensagem. Que amar alguém também é um ato de coragem.
De coragem de amar. Mesmo que não seja correspondido. Que amar não é pecar e muito menos tempo perdido.

Miss Paty

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