quarta-feira, 8 de abril de 2020

As minhas pessoas

Hoje tenho saudades tuas. É estranho. Estranho como deixamos que a distância se imponha nas nossas vidas. Como aqueles que um dia pensamos que fossem fazer parte delas para sempre, passaram a ser isso mesmo. Estranhos.
Tenho cá para mim de que estar junto e estar perto não é a mesma coisa. Há pessoas que tenho junto de mim. Vêem-me diariamente. Mas será que me vêem mesmo? Ou apenas olham. Acostumados à minha presença, deixaram de olhar. Deixaram de ver. Deixaram de se importar?
Como seres de hábitos que somos, acomodamo-nos. Deixamo-nos ficar no confortável. Mesmo que o confortável seja insuportável. Mesmo que não nos acrescente mais do que apenas isso. Um monte de nada. Um vazio preenchido por corpos que apenas habitam no mesmo espaço. Desligados, desconectados. Presenças ausentes. Alienadas.
Back to the point, por outro lado há pessoas que embora não estejam junto fisicamente de mim, estão perto. Fazem questão de estar perto. Mesmo à distância, conseguem ver-me. Sentir-me. Fazem-se presentes na minha vida, oferecendo-me o melhor presente que me poderiam dar. Estarem presentes. Podemos não nos ver com tanta frequência como gostaríamos. Mas sentimo-nos todos os dias.
São essas pessoas que não me devem nada. O que quer que me dêem é de mão beijada. Sabem que não quero dinheiro. Não lhe reconheço qualquer valor. Quero o que é verdadeiro. O que é dado com amor. Peço apenas companhias. Que me façam passar o tempo em que conto horas vazias. Que me vão matando por dentro. Peço apenas amizade. A que é dada de peito aberto. Porque o manhã parece uma eternidade e nem sei se é certo. Peço apenas carinho. O que dizem ter por mim. Uma palavra de mansinho. Numa conversa assim. Não preciso do universo. Nem das estrelas que nele estão. E se com eles converso, faço-o sempre de coração. Quando estou triste, procuro neles resguardo. Porque sabem que um mundo em mim existe e dentro dele tudo o que guardo. Amizade nem deve pedir. Assim como qualquer outro sentimento. Basta que se crie um momento. Onde se possa sentir. Por isso não me devem nada. E mesmo assim acabei de o dizer. Que no nada que me devem. Há um espaço onde tudo pode caber. E sim, falo de amizade. A de quem me é é tão imprescindível . Se me querem fazer a graça, basta ter um amigo disponível. Para conversas como as que sabem que temos. Onde posso falar sem medo. Porque sei que nada escondemos. E entre nós não há segredo.
São pessoas que embora distantes, nunca se ausentam de mim.
E essas são as minhas pessoas. Para as quais não preciso de dar nome. Mas sem as quais a minha vida não seria possível.
Sabem que as amo. As minhas pessoas, que fazem da distância a missão impossível de nunca deixarem de ser o mais que podem disponível.
Têm um cantinho (gigante!!) guardado no meu coração.

Miss Paty

© Todos os Direitos de Autor reservados nos termos da Lei 50/2004, de 24 de Agosto
Como autora, autorizo a partilha deste texto, e ou excertos do mesmo, desde que mantido no seu formato original, e seja obrigatoriamente mencionada a autoria do mesmo.

Sem comentários:

Enviar um comentário

Dia do beijo.

Aquele ato em que duas pessoas fazem, onde se encontram os lábios. Para mim um ato mais sensual que qualquer outro. Entre uma carícia ...