Não sei como escrever este texto. As palavras atropelam-se dentro de mim. Já as tentei separar. Categorizar. Mas querem-se ver livres.
Hoje sinto-me mais livre. Hoje sinto-me uma pessoa melhor. Mais eu. Pode parecer estranho. Como nos podemos sentir mais nós?
Há coisas que tenho a vindo a perceber aos poucos. Quero partilhar convosco. Não que a minha vida seja um exemplo. Porque não o é. Mas penso que se pudermos aprender um pouco todos os dias uns com os outros, no final vamos sair mais ricos no que realmente importa. Valores.
Sempre me considerei uma pessoa racional. Demasiado racional. Com pesos e medidas para tudo. Até para aquilo que não devia ser. Com muros altos e erguidos pensei proteger-me da dor. Impedir que entrassem no mundo onde me refugiava com receio de que me pudessem magoar. Uns foram tentando entrar no meu mundo, e sem o conseguir, desistiram. Outros foram insistindo mais. Mas ao ver-me tão fechada e sem dar nada em troca, acabaram por se cansar. Poucos foram os que ficaram, sabendo que muito eu tinha para dar. Apenas não sabia como.
Aos que partiram nao lhes guardo mágoas. Afinal a culpa não foi deles. Foi minha. Que não percebia que os mesmos muros que não deixavam que ninguém entrasse, também me impediam de sair. E não menos importante, que os muros que me protegiam da dor, também me protegiam do amor. Também me impediam quer de dar amor, como de o receber.
Pensei muitas vezes comigo não ser merecedora. Que talvez uma vida de amor não me estivesse destinada. E que tudo estava bem assim.
Mas não! Não poderia eu estar mais enganada. Quem somos nós se não o amor que damos e recebemos? Que fazemos nós nesta passagem tão curta pela terra, se não for para tocar corações e deixar que toquem o nosso?
Como podemos querer ser amados sem dar em troca o nosso amor? De que se enche então o nosso coração? De um vazio avassalador que nos sufoca nas nossas próprias lágrimas?
E vale a pena? Valerá a pena renunciarmos ao amor porque temos medo de sentir? Porque temos medo de ser magoados?
Se nem todas as pessoas são boas, nem todas são más. Mas porque valores nos pautamos nós? Pelos nossos ou pelos dos outros?
Pois é. Foi preciso muito tempo para que conseguisse perceber isto. Ainda estou a desconstruir os meus muros. E à medida que o faço, um novo sentimento surge em mim. Mais uma peça deste gigante puzzle que é a minha vida se encaixa.
Não é fácil, mas vai sendo um processo natural à medida que vou dando de mim. E admirem-se! Quanto mais dou de mim, mais recebo em troca.
E é tão bom. Tão gratificante!
Não consegui porém fazer tudo isto sozinha. A minha "consciência" tem um nome que guardo comigo. Poderia dizer qual é. Mas basta-me chamar-lhe amigo.
Dedico este pedacinho de mim a ti. Que sabes quem és. E que mais do que no meu pensamento, estás no meu coração.
Obrigada ♥️
Miss Paty
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